5 de fev de 2013

DIÁLOGOS COM MAURICE BLANCHOT- Galeria Theodoro Braga













A SOLIDÃO ESSENCIAL
A SOLIDÃO NO MUNDO


Quando estou só, não sou eu que estou aí e não é de ti que fico longe, nem dos outros, nem do mundo. Não sou o indiví­duo a quem aconteceria essa impressão de solidão, esse senti­mento dos meus limites, esse tédio de ser eu mesmo.


Quando estou só, não estou aí. Isso não significa um estado psicológico, indicando o desaparecimento, a supressão desse direito de sentir o que sinto a partir de mim mesmo.

Não é que eu seja um pouco menos eu mesmo, é o que existe "atrás do eu", o que o eu dissimula para ser em si.

Quando sou, ao nível do mundo, aí onde são também as coisas e os seres, o ser está profundamente dissimulado.

Essa dissimulação pode tornar-se trabalho, negação. "Eu sou" (no mundo) tende a significar que somente sou se posso separar-me do ser: negamos o ser — ou, para esclarecê-lo ror um caso particular, negamos, transformamos a natureza — e, nessa negação que é o trabalho e que é o tempo, os seres realizam-se e os homens erguem-se na liberdade do "Eu sou".

O que me faz eu é essa decisão de ser quando separado do ser, c ser sem ser, o ser isso que nada deve ao ser, que recebe seu poder da recusa de ser, o absolutamente "desnaturado", o ab­solutamente separado, isto é, o absolutamente absoluto.

Esse poder pelo qual me afirmo renegando o ser é real, entretanto, na comunidade de todos, no movimento comum do trabalho e do trabalho do tempo.

"Eu sou", como decisão de ser sem ser, só tem verdade porque essa decisão é minha a par­tir de todos, porque se concretiza no movimento que ela possi­bilita e torna real: essa realidade é sempre histórica, é o mundo que é sempre realização do mundo.

Eu sou o que não é, aquele que cometeu secessão, o sepa­rado, ou ainda, como se disse, aquele em quem o ser é discu­tido.

Os homens afirmam-se pelo poder de não ser: assim agem, falam, compreendem, sempre outros que não são eles e que es­capam ao ser por um desafio, um risco, uma luta que vai até à morte e que é história.

Foi o que Hegel mostrou. "Com a morte começa a vida do espírito." Quando a morte se torna poder, co­meça o homem, e esse começo diz que, para que exista o mun­do, para que haja seres, é necessário que o ser falte.


Maurice Blanchot 

20 de mai de 2011

DA PORTA DO MUSEU DO MUNDO: o Brasil e suas curvas




[Este título crio para que se dissemine o texto de Sírio Possenti, esclarecedor do bem claríssimo tema relativo aos recursos nossos de conduzir e de estudar a língua. O texto, na íntegra, encontra-se abaixo. Trago a destaque os PS do autor sobre o agir midiático (dito culto), quanto (a) a seu não-saber ler; quanto (b) a alguns de seus modos de construir sentenças em  fala pública. 


[Roberto Correa dos Santos]

PS1 – Todos os comentaristas (colunistas de jornais, de blogs e de TVs) que eu ouvi leram errado uma página (sim, era só UMA página!) do livro que deu origem à celeuma na semana passada. Minha pergunta é: se eles defendem a língua culta como meio de comunicação, como explicam que leram tão mal um texto escrito em língua culta? É no teste PISA que o Brasil, sempre tem fracassado, não é? Pois é, este foi um teste de leitura. Nosso jornalismo seria reprovado.

PS 2 – Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia, Brasil de terça-feira: “quando eu TAVA na escola...”. Uma carta de leitor que criticava a forma “os livro” dizia “ensinam os alunos DE que se pode falar errado”. Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos!!

SEGUE O TEXTO DE SÍRIO POSSENTI  

ACEITAM TUDO
Sírio Possenti

De vez em quando, alguém diz que linguistas “aceitam” tudo (isto é, que acham certa qualquer construção). Um comentário semelhante foi postado na semana passada. Achei que seria uma boa oportunidade para tentar esclarecer de novo o que fazem os linguistas.

Mas a razão para tentar ser claro não tem mais a ver apenas com aquele comentário. Surgiu uma celeuma causada por notas, comentários, entrevistas etc. a propósito de um livro de português que o MEC aprovou e que ensinaria que é certo dizer Os livro. Perguntado no espaço dos comentários, quando fiquei sabendo da questão, disse que não acreditava na matéria do IG, primeira fonte do debate. Depois tive acesso à indigitada página, no mesmo IG, e constatei que todos os que a leram a leram errado. Mas aposto que muitos a comentaram sem ler.

Vou tratar do tal “aceitam tudo”, que vale também para o caso do livro. 
Primeiro: duvido que alguém encontre esta afirmação em qualquer texto de linguística. É uma avaliação simplificada, na verdade, um simulacro, da posição dos linguistas em relação a um dos tópicos de seus estudos - a questão da variação ou da diversidade interna de qualquer língua. Vale a pena insistir: de qualquer língua.



Segundo: “aceitar” é um termo completamente sem sentido quando se trata de pesquisa. Imaginem o ridículo que seria perguntar a um químico se ele aceita que o oxigênio queime, a um físico se aceita a gravitação ou a fissão, a um ornitólogo se ele aceita que um tucano tenha bico tão desproporcional, a um botânico se ele aceita o cheiro da jaca, ou mesmo a um linguista se ele aceita que o inglês não tenha gênero nem subjuntivo e que o latim não tivesse artigo definido.

Não só não se pergunta se eles “aceitam”, como também não se pergunta se isso tudo estácerto. Como se sabe, houve época em que dizer que a Terra gira ao redor do sol dava fogueira. Semmelweis foi escorraçado pelos médicos que mandavam em Viena porque disse que todos deveriam lavar as mãos antes de certos procedimentos (por exemplo, quem viesse de uma autópsia e fosse verificar o grau de dilatação de uma parturiente). Não faltou quem dissesse “quem é ele para mandar a gente lavar as mãos?”

Ou seja: não se trata de aceitar ou de não aceitar nem de achar ou de não achar correto que as pessoas digam os livro. Acabo de sair de uma fila de supermercado e ouvi duas lata, dez real,três quilo a dar com pau. Eu deveria mandar esses consumidores calar a boca? Ora! Estávamos num caixa de supermercado, todos de bermuda e chinelo! Não era um congresso científico, nem um julgamento do Supremo!
Um linguista simplesmente “anota” os dados e tenta encontrar uma regra, isto é, uma regularidade, uma lei (não uma ordem, um mandato).

O caso é manjado: nesta variedade do português, só há marca de plural no elemento que precede o nome – artigo ou numeral (os livro, duas lata, dez real, três quilo). Se houver mais de dois elementos, a complexidade pode ser maior (meus dez livro, os meus livro verde etc.). O nome permanece invariável. O lingüista vê isso, constata isso. Não só na fila do supermercado, mas também em documentos da Torre do Tombo anteriores a Camões. Portanto, mesmo na língua escrita dos sábios de antanho.

O lingüista também constata the books no inglês, isto é, que não há marca de plural no artigo, só no nome, como se o inglês fosse uma espécie de avesso do português informal ou popular. O lingüista aceita isso? Ora, ele não tem alternativa! É um dado, é um fato, como a combustão, a gravitação, o bico do tucano ou as marés. O lingüista diz que a escola deve ensinar formas como os livro? Esse é outro departamento, ao qual volto logo.

Faço uma digressão para dar um exemplo de regra, porque sei que é um conceito problemático. Se dizemos “as cargas”, a primeira sílaba desta sequência é “as”. O “s” final é surdo (as cordas vocais não vibram para produzir o “s”). Se dizemos ‘as gatas”, a primeira sílaba é a “mesma”, mas nós pronunciamos “az” – com as cordas vocais vibrando para produzir o “z”. Por que dizemos um “z” neste caso? Porque a primeira consoante de “gatas” é sonora, e, por isso, a consoante que a antecede também se sonoriza. Não acredita? Vá a um laboratório e faça um teste. Ou, o que é mais barato, ponha os dedos na sua garganta, diga “as gatas” e perceberá a vibração. Tem mais: se dizemos “as asas”, não só dizemos um “z” no final de “as”, como também reordenamos as sílabas: dizemos as.ga.tas e as.ca.sas, mas dizemos a.sa.sas (“as” se dividiu, porque o “a” da palavra seguinte puxou o “s/z” para si). Dividimos “asas” em “a.sas”, mas dividimos “as asas” em a.sa.sas.

Volto ao tema do lingüista que aceitaria tudo! Para quem só teve aula de certo / errado e acha que isso é tudo, especialmente se não tiver nenhuma formação histórica que lhe permitiria saber que o certo de agora pode ter sido o errado de antes, pode ser difícil entender que o trabalho do lingüista é completamente diferente do trabalho do professor de português.

Não “aceitar” construções como as acima mencionadas ou mesmo algumas mais “chocantes” é, para um lingüista, o que seria para um botânico não “aceitar” uma gramínea. O que não significa que o botânico paste.

Proponho o seguinte experimento mental: suponha que um descendente seu nasça no ano 2500. Suponha que o português culto de então inclua formas como “A casa que eu moro nela mais os dois armário vale 300 cabral” (acho que não será o caso, mas é só um experimento). Seu descendente nunca saberá que fala uma língua errada. Saberá, talvez (se estudar mais do que você), que um ancestral dele falava formas arcaicas do português, como 300 cabrais.

Outro tema: o linguista diz que a escola deve ensinar a dizer Os livro? Não. Nenhum linguista propõe isso em lugar nenhum (desafio os que têm opinião contrária a fornecer uma referência). Aliás, isso não foi dito no tal livro, embora todos os comentaristas digam que leram isso.
O lingüista não propõe isso por duas razões: a) as pessoas já sabem falar os livro, não precisam ser ensinadas (observe-se que ninguém fala o livros, o que não é banal); b) ele acha – e nisso tem razão – que é mais fácil que alguém aprenda os livros se lhe dizem que há duas formas de falar do que se lhe dizem que ele é burro e não sabe nem falar, que fala tudo errado. Há muitos relatos de experiências bem sucedidas porque adotaram uma postura diferente em relação à fala dos alunos.

Enfim, cada campo tem seus Bolsonaros. Merecidos ou não.
PS 1 – todos os comentaristas (colunistas de jornais, de blogs e de TVs) que eu ouvi leram errado uma página (sim, era só UMA página!) do livro que deu origem à celeuma na semana passada. Minha pergunta é: se eles defendem a língua culta como meio de comunicação, como explicam que leram tão mal um texto escrito em língua culta? É no teste PISA que o Brasil, sempre tem fracassado, não é? Pois é, este foi um teste de leitura. Nosso jornalismo seria reprovado.

PS 2 - Alexandre Garcia começou um comentário irado sobre o livro em questão assim, no Bom Dia, Brasil de terça-feira: “quando eu TAVA na escola...”. Uma carta de leitor que criticava a forma “os livro” dizia “ensinam os alunos DE que se pode falar errado”. Uma professora entrevistada que criticou a doutrina do livro disse "a língua é ONDE nos une" e Monforte perguntou "Onde FICA as leis de concordância?". Ou seja: eles abonaram a tese do livro que estavam criticando. Só que, provavelmente, acham que falam certinho! Não se dão conta do que acontece com a língua DELES mesmos!!

9 de dez de 2010

Ofício: POESIA


Andreev Veiga




No dia 11 de dezembro, às 18h, no Instituto de Artes do Pará (IAP), a poesia será o centro de um acontecimento voltado à sua celebração. O lançamento do livro “celina...”, do poeta e artista plástico Marcílio Costa.


“celina...” recebeu o prêmio da Academia Paraense de Letras (categoria: poesia). O livro chamou a atenção de grandes nomes da literatura brasileira, dentre eles: Paulo Henriques Britto(poeta e tradutor de Elisabeth Bishop e vencedor do Prêmio Portugal Telecom), Antônio Moura (poeta e tradutor de jean-Joseph Rabearivelo), João de Jesus Paes Loureiro (poeta que recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA) e Vicente Franz Cecim ( escritor e vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA) e Amarlís Tupiassu (crítica literária, professora da UFPA e UNAMA).


Marcílio Costa é um dos mais expressivos nomes da atual poesia feita em nossa região. Seus poemas já foram publicados em várias antologias e revistas de poesia por todo o Brasil. Em 2009 o poeta foi comtemplado com a Bolsa FUNARTE de Criação literária, o mais importante e concorrido prêmio para a criação no território nacional, pelo projeto da obra poética “Todas as Ruas”. Recentemente ganhou o Prêmio Dalcídio Jurandir de Literatura – 2010(categoria: poesia) pelo livro “depois da sede” e Menção Honrosa na última edição do Prêmio Escriba de Poesia (Piracicaba - SP).


Como artista visual, Marcílio deixa sua marca como poeta nos trabalhos que realiza ou participa. É o caso do curta de animação “Muragens: crônicas de um muro” de 2008, em que Marcílio co-dirigiu e escreveu o roteiro final. Dirigido por Andrei Miralha, o filme foi o primeiro curta de animação paraense selecionado para a mostra competitiva do ANIMA MUNDI e já correu o mundo sendo, também, selecionado para festivais como o ANIMAZIVO no México e o MONSTRA em Portugal.


Atualmente vem desenvolvendo projetos de intervenções públicas com o artista plástico Ednaldo Britto e estão preparando para o próximo ano a exposição de gravura-instalação entitulada “TRAMPO”.



11 de out de 2010







III Simpoesia / 2010

O Simpoesia III, a ser realizado entre 5 a 7 de novembro, propõe novamente um intercâmbio entre poetas brasileiros (de locais distintos do país), e poetas estrangeiros. A abordagem será mais compacta. Três grandes nomes de impacto no cenário internacional, Bruce Andrews (USA), a poeta e tradutora Erin Moure (Canadá), e o holandês Arjen Dunker estarão em São Paulo para apresentar e discutir seu trabalho. A programação este ano inclui uma participação maior de poetas mulheres, discussão sobre poesia contemporânea nas universidades e um foco em tradução. Haverá uma palestra com o curador de Latin American Collections da British Library, Aquiles Alencar Breyner, sobre biblioteca digital e arquivo de material eletrônico na web. Há incentivo à presença de poetas jovens e lançamentos de livros de poesia. O encontro ocorrerá na Casa das Rosas, com curadoria de Virna Teixeira.




Convidados

ARJEN DUINKER (HOLANDA)
Arjen Duinker é um dos poetas vivos mais considerados da Holanda. Nascido em Delft, em 1956, e formado em filosofia e psicologia, publicou, além de um romance, onze volumes de poesia. Em 2001, recebeu o Prêmio Jan Campert pelo livro De geschiedenis van een opsomming (A história de uma enumeração, 2000). A coleção De Zon en de Wereld (O sol e o mundo) ganhou o Prêmio de Poesia VSB 2005 e foi publicado em tradução inglesa na Austrália. A obra de Duinker está traduzida em várias línguas, tendo também constado em várias compilações na França, Portugal, Itália, Irã, Rússia, Reino Unido, China, Finlândia, Croácia e México. Duinker trabalha, em conjunto com o soprador de vidro Bernard Heesen, no dicionário enciclopédico O Mundo do Soprador de Vidro. Juntamente com a poeta francesa Karine Martel, escreveu En dat? Oneindig/ Et cela? L’infini (E Isso? O Infinito). Em 2007, Arjen Duinker publicou o “quarteto para duas vozes” Starfish, Zeester, Etoile de mer, Estrella de mar (quatro poemas diferentes em quatro línguas diferentes). Atualmente dedica-se a parcerias com o trompetista Eric Vloeimans, o compositor Hans Koolmees e o guitarrista de flamenco Eric Vaarzon Morel. Arjen Duinker continua a residir e a trabalhar em Delft. O presente poema foi lido em Holandês no VI Encontro Internacional de Poetas de Coimbra e foi traduzido por Arie Pos, exclusivamente para a Revista Confraria.

BRUCE ANDREWS (EUA)
Fundador e co-editor do jornal L=A=N=G=U=A=G=E, Andrews tem mantido uma posição consistente e um registro prolífico de ativismo na margem radical da  avant-garde literária. Autor de mais de trinta volumes de poesia, e um de ensaios críticos (Paradise & Method: Poetics & Praxis), com livros, entrevistas, ensaios e gravações online nos sites Electronic Poetry Center, Ubu, PennSound, Eclipse, Jacket & Wikipedia. Ensina Política na Fordham University em Nova Iorque & colabora em uma vasto círculo de outros artistas (em particular, como Diretor Musical para a companhia Sally Silvers & Dancers).

ERÍN MOURE (CANADÁ)
Erín Moure escreve principalmente em inglês, embora de forma multilíngue. Nos seus livros mais recentes, O Resplandor e – em colaboração com Oana Avasilichioaei – Expeditions of a Chimæra, a poesia torna-se tão híbrida que não sabemos às vezes quem está escrevendo o livro: talvez seja o livro mesmo. Moure traduziu os poetas de Quebec Nicole Brossard (com Robert Majzels) e Louise Dupré, a poeta galega Chus Pato, e o chileno Andrés Ajens para o inglês, e ainda Fernando Pessoa do português e um pouco do portunhol de Wilson Bueno. Seus ensaios sobre 25 anos de prática da escrita, My Beloved Wager, foram publicados em 2009. Ela ganhou e foi indicada para vários prêmios como poeta e tradutora (Governor General’s Award, Griffin Prize, Pat Lowther Award, AMKlein Prize, etc) desde que começou a publicar em 1979, e ensina e dá palestras com frequência sobre poesia e tradução nas Américas e na Europa. Moure vive em Montreal onde trabalha como tradutora freelance.

EVA BATLICKOVA (REPÚBLICA TCHECA/ BRASIL)
Eva Batlickova é mestre em Filosofia e Língua e Literatura Portuguesa pela Universidade Masaryk, em Brno, República Checa. Desde o ano de 2004 vive no Brasil. É autora do livro A época brasileira de Vilém Flusser (Annablume, 2010). Faz parte do grupo de editores do Demônio Negro e [e] editorial. Atualmente dedica-se à preparação da obra para a edição brasileira do dramaturgo, poeta e ex-presidente checo Václav Havel.

FARNOOSH FATHI (EUA)
Farnoosh Fathi nasceu na Louisiana, Estados Unidos. É filha de iranianos e foi criada na Califórnia. Atualmente vive no Rio de Janeiro, onde escreve seu primeiro livro com auxílio de uma bolsa Fullbright.

AQUILES ALENCAR BRAYNER (BRITISH LIBRARY)
Aquiles Alencar Brayner é formado em psicologia pela Universidade Federal do Ceará e em estudos latino-americano pela Universidade de Leiden (Holanda). Tem mestrado em literatura latino-americana, também pela Universidaded de Leiden e doutorado em literatura brasileira pelo King’s College (Universidade de Londres) sobre a obra de João Gilberto Noll. Publicou em 2009 o livro The Literature of the senses pela editora Lambert e está atualmente concluindo seu mestrado em ciências da informação com tese sobre arquivos de páginas Web no Reino Unido. Trabalhou como professor de literatura brasileira no Birkbeck College (Universidade de Londres) e Universidade de Leeds. Desde 2006 trabalha na British Library como curador do acervo latino-americano da biblioteca.

ADRIANA ZAPPAROLI (SP)
Adriana Zapparoli é escritora, poeta e tradutora. Publicou pela Lumme Editor (São Paulo) os livros ‘Violeta de Sofia’ (2009), ‘Cocatriz’ (2008) e ‘A Flor-da-Abissínia’ (2007), depois de publicar seus escritos em revistas de arte e literatura. Prepara para 2010 o lançamento de ‘Tílias e Tulipas’ pela mesma editora. Edita o blog: http://zeniteblog.zip.net.

ANTÔNIO VICENTE PIETROFORTE (SP)
Formado em Português e Lingüística, com mestrado, doutorado e livre-docência pela Universidade de São Paulo (FFLCH). Atua como professor na graduação em Letras e no curso de pós-graduação em Semiótica e Lingüística Geral. Autor de vários títulos na área de Semiótica. Na área literária, é autor de: Amsterdã SM (romance, DIX, 2007); O retrato do artista enquanto foge (poesias, DIX, 2007); Papéis convulsos (contos, DIX, 2008); Palavra quase muro (poesias, Demônio Negro, 2008); Concretos e delirantes (poesias, Demônio Negro, 2008); Irmão Noite, irmã Lua (romance, Dix, 2008); M(ai)S – antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira (prosa e poesia, DIX, 2008), organizada em parceria com o escritor Glauco Mattoso; Fomes de formas (poesias, Demônio Negro, 2008), composta em parceria com os poetas Paulo Scott, Marcelo Montenegro, Delmo Montenegro, Marcelo Sahea, Thiago Ponde de Morais, Luís Venegas, Caco Pontes; A musa chapada (poesias, Demônio Negro, 2008), em parceria com o poeta Ademir Assunção e o artista plástico Carlos Carah; Os tempos da diligência (poesias, [e] editorial, 2009); Menthalos, em parceria com o artista plástico Jozz (história em quadrinhos, [e] editorial, 2010); O livro das músicas (poesias, [e] editorial, 2010).

BRUNO BRUM (MG/SP)
Bruno Brum nasceu em Belo Horizonte, em janeiro de 1981. Estudou história, letras e design. Escritor e designer gráfico, publicou os livros Mínima Idéia (2004) e Cada (2007), lançados em Belo Horizonte e outras cidades brasileiras. Trabalhou no desenvolvimento da identidade visual da ZIP (Zona de Invenção Poesia &, em 2005) e da Revista Roda – arte e cultura do atlântico negro, editada dentro da programação do FAN entre 2006 e 2008 (Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte). Entre 2005 e 2009, co-editou a Revista de Autofagia, periódico voltado para a publicação de poesia e suas interfaces com as mais diversas linguagens artísticas. Atualmente vive em São Paulo e trabalha no livro Anaeróbica, vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2010, na categoria poesia. A publicação do livro está prevista para o segundo semestre de 2011. Portifólio online: http://www.brunobrum.blogspot.com/

CLAUDIO DANIEL (SP)
Claudio Daniel é poeta, tradutor e ensaísta. Publicou, entre outros títulos, os livros de poesia Sutra (1992), Yumê (1999), A sombra do leopardo (2001, prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT), Figuras Metálicas (2005), Fera Bifronte (2009), que recebeu a bolsa de criação literária da Funarte, e Letra Negra (2009). No campo da ficção, publicou o livro de contos Romanceiro de Dona Virgo (2004). É editor da revista de poesia e debates Zunái (www.revistazunai.com) e organizou festivais e eventos literários, entre eles o Tordesilhas, Festival Ibero-Americano de Poesia, realizado em São Paulo em 2007, e o Artimanhas Poéticas, realizado no Rio de Janeiro em 2009. Como tradutor, publicou a antologia Jardim de camaleões, a poesia neobarroca na América Latina (2004), além de livros do poeta argentino Reynaldo Jiménez, do uruguaio Victor Sosa, do dominicano Leon Félix Batista  e do cubano José Kozer, entre outros. Em 2005, lançou a antologia Ovi-Sungo, 13 Poetas de Angola. Claudio Daniel é mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, com uma dissertação sobre a poeta Ana Hatherly, e ministra aulas de criação literária dentro do projeto do Laboratório de Criação Poética (http://labcripoe.blogspot.com/).

DONNY CORREIA (SP)
Poeta e tradutor, nasceu em São Paulo, em 1980. Morou em Londres entre 2000 e 2003, onde editou uma coluna de entrevistas no jornal Brazilian News. Publicou o livro de poemas O eco do espelho (2005) e Balletmanco (2010). Atualmente, é coordenador cultural da Casa das Rosas. Colaborou com textos para a revista Discutindo Literatura (Escala Educacional). Publicou poemas e traduções nas revistas eletrônicas Revista Zunai (www.revistazunai.com.br), Cronópios (www.cronopios.com.br) e Germina Literatura (www.germinaliteratura.com.br). Tem traduzido poemas do galês Peter Finch e pesquisado a literatura inglesa medieval. É graduando em Letras – Tradução pelo Centro Universitário Ibero-americano (Unibero). Estuda Cinema na AIC e recentemente teve seu curto-metragem Totem selecionado para o Festival Internacional de Cinema de SP.

FREDERICO BARBOSA (SP)
Poeta e professor de literatura, é diretor executivo da Poiesis - Organização Social de Cultura, que administra a Casa das Rosas, o Museu da Língua Portuguesa, a Casa Guilherme de Almeida e os projetos São Paulo, um Estado e Leitores e PraLer – Prazeres da Leitura, em São Paulo. Formado em Letras pela USP, publicou os livros de poesia Rarefato (Iluminuras, 1990), Nada Feito Nada (Perspectiva, 1993), que ganhou o Prêmio Jabuti, Contracorrente (Iluminuras, 2000), Louco no Oco sem Beiras (Ateliê, 2001), Cantar de Amor entre os Escombros (Landy, 2002), Brasibraseiro (Landy, 2004), em parceria com Antonio Risério, pelo qual recebeu seu segundo Prêmio Jabuti, e A Consciência do Zero (Lamparina, 2004). Pela Landy Editora, publicou a coletânea Cinco Séculos de Poesia (2000), a seleção de sermões de Antônio Vieira, O Sermão do Bom Ladrão e outros sermões (2000), a edição comentada dos episódios camonianos Inês de Castro e O Velho do Restelo (2001) e a antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil (2002). Organizou também diversas coleções de livros destinadas a popularizar a leitura dos clássicos da literatura luso-brasileira, vendidas nas bancas de jornal, vinculadas aos jornais O Estado de São Paulo (SP), O Globo (RJ) e Zero Hora (RS). A maior parte de sua produção poética está no site http://www.fredericobarbosa.com.br

ISMAR TIRELLI (RJ)
Ismar Tirelli Neto nasceu em setembro de 1985, no Rio de Janeiro. Em 2008, lançou seu primeiro volume de poemas pela 7Letras, chamado “Synchronoscopio”.

LEONARDO GANDOLFI (RJ)
Leonardo Gandolfi nasceu em 1981 no Rio de Janeiro, onde trabalha como professor. Publicou os livros No entanto d’água (7letras, 2006) e A Morte de Tony Bennett (Lumme Editor, 2010).

MARINA DELLA VALLE (SP)
Marina Della Valle é jornalista e tradutora. Nasceu em Santa Adélia, no interior de São Paulo, e vive na capital desde 1994. É formada em jornalismo pela Cásper Líbero e mestranda em Estúdios Linguísticos e Literários em Inglês (FFLCH-USP), desenvolvendo traduções de 20 poemas do escritor inglês Ted Hughes.

MARIZE CASTRO (RN)
Marize Castro nasceu em Natal (RN), onde mora. Editora e jornalista, é autora dos livros de poesia Marrons Crepons Marfins (1984), Rito (1993), Poço. Festim. Mosaico (1996), Esperado ouro (2005) e Lábios-espelhos (2009). Tem publicado poemas em jornais e revistas literárias nacionais e internacionais. Seus textos foram traduzidos para o inglês pelo poeta e professor norte-americano Steven White.

MICHELINY VERUNSK (PE/SP)
Micheliny Verunschk, 37 anos, escritora, crítica literária é colunista da revista eletrônica de literatura Cronópios e colaboradora da revista Continuum, do Instituto Itaú Cultural. Publicou os livros Geografia Íntima do Deserto (Landy, 2003) e O Observador e o Nada (Edições Bagaço, 2003) e irá lançar seu novo livro, A cartografia da noite (Lumme Editor), durante o Simpoesia. Foi finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura com o livro Geografia Íntima do Deserto, em 2004. Participou das antologias Na Virada do Século – Poesia de Invenção no Brasil; Invenção Recife; Pernambuco: Terra da Poesia; Antologia Comentada da Poesia Brasileira do Século XXI e e da Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milênio, publicada em Portugal em 2008. Tem poemas publicados na França, Portugal, Estados Unidos e Canadá.

NÍCOLLAS RANIERI (MG)
Poeta e estudante de Letras na UFTM. Nasceu em 1991, em Uberaba, onde vive. Foi colunista e articulista do extinto Jornal Cidade Livre. Publicou o livro de poesia Fragmentos (2005) e colaborou em revistas eletrônicas como Algaravária, Zunái e Almanaque Lobisomem, e no jornal literário O Casulo. Participou da Antologia de poesia brasileira do início do terceiro milénio (2008), organizada por Claudio Daniel, e da Portuguesia: contraantologia, organizada por Wilmar Silva. Integrou o projeto Arte no Ônibus (edição 2008-2009) e os eventos literários Tordesilhas, Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea (2007), Simpoesia (2008), Terças Poéticas (2009) e Verão Poesia (2010). Escreve no blog A Flauta-Vértebra (http://aflautavertebra.blogspot.com/).

NILSON OLIVEIRA (PA)
Nilson Oliveira (Belém-PA) é escritor, ensaísta, editor da Revista Polichinello; autor de A Outra Morte de Haroldo Maranhão, IAP-2006; Editora Pazulin-2009; A Literatura e Os Possíveis da Escrita Literária, Editora Lumme-2010;

RENATA HUBER (SP)
Renata Huber nasceu em São Paulo em 1976. É formada em Administração, escritora e pesquisadora. Prepara o seu primeiro livro de poemas, em parceria com Roberta Ferraz e Érica Zíngano e apoio do ProAc 2009, com lançamento previsto para o final do ano.

ROBERTA FERRAZ (SP)
Nascida em São Paulo, em 14 de novembro de 1980, viveu os primeiros dezoito anos no interior. Retorna à capital, estudou Letras na PUC-SP e História na USP. Publicou em 2003 seu primeiro livro, de contos, Desfiladeiro, pela Editora Nativa. É mestre em Literatura Portuguesa, pela USP. Ganhou em 2008, na categoria Texto, o prêmio do Programa Nascente da USP, com seu livro lacrimatórios, enócoas, publicado em 2009 pela Oficina Raquel. Atualmente, escreve, junto com Érica Zíngano e Renata Huber o livro fio, fenda, falésia, com apoio do ProAc 2009, que terá lançamento em dezembro.

TELMA FRANCO (SP)
Telma Franco Diniz Abud é mestranda em Tradução Literária na UFSC e tradutora autônoma com experiência na área de legendagem inglês/ português.


VIRNA TEIXEIRA (CE/SP)
Poeta e tradutora. Nasceu em Fortaleza e vive em São Paulo, onde trabalha como neurologista. É autora dos livros Visita (2000) e Distância (2005) pela editora 7 Letras e Trânsitos (2009) pela editora Lumme. Visita foi relançado este ano pela editora carioca Multifoco (RJ). Publicou três livros de tradução de poesia escocesa: Na Estação Central (UnB, 2006) do poeta Edwin Morgan, a antologia Ovelha Negra (Lumme, 2007)  e Cartas de Ontem, de Richard Price (Lumme, 2009). Traduziu também Livro Universal, do poeta chileno Héctor Hernández Montecinos, junto com o tradutor Vanderley Mendonça (Demônio Negro, 2008).  Tem dois livros publicados no exterior: Fin de siècle (Chicas de bolsillo, Universidad de La Plata, 2007) e Distancia (Lunarena Editorial, Mexico, 2007). Tem organizado e participado de diversos encontros de poesia no Brasil e exterior, costura plaquetes artesanais na Arqueria Editorial, e edita na internet o blog Papel de rascunho.


23 de ago de 2010




Lançamento Polichinello nº 12 / por acaso
Dia 03 de setembro, às 18h30
Museu da Cultura / PUC-SP
Rua Monte Alegre, 984


POR ACASO
Nilson Oliveira

Deixem vir a mim o acaso,
ele é inocente como uma criança.




Na literatura, a imagem do pensamento é imprecisa. Não é histórica, tampouco familiar. Não tem o rosto de personagem algum, contudo sempre devém, pois é imanente ao jogo da criação, à inocência de jogar. Jogar o jogo da literatura implica em afirmar o acaso, pois escrever é estar em relação com as forças do aleatório e a um só tempo com as forças que sopram fora da escrita. Escrever não significa se enredar numa linha na qual o ponto final é a obra. Na literatura não há garantias de nada, tampouco ponto de chegada. Escrever é jogar no aberto e a literatura está em intima relação com o aberto. Nele “Já não há nenhum Virgílio a me guiar no inferno nem nenhuma Beatriz, movida por amor, a me salvar no paraíso”. Escrever é se enredar por esses abismos: sempre existe o meio, o branco, os vácuos e as retrações. O acaso, através dos vários agenciamentos aleatórios provenientes das forças afirmativas, improviso/jogo/derivações, subverte esses vácuos engendrando entre o branco do papel e o desejo (sempre impessoal) uma abertura pela qual a escrita sempre vem. A ação vem sob a influência do indefinível. Desse modo, o desejo não abole o acaso. O acaso desmonta o estável, a paisagem do mesmo, assegurando a escrita por vir. O acaso afirma o jogo da escrita, da mesma forma que o lance de dados assegura o devir literário. É esse movimento em contínuo recomeço que cria novas possibilidades para a literatura; acontecimentos diversos que decantam a obra com vibração. Jogo sempre em aberto, jogo ideal, no qual não há regras preexistentes. O jogador ideal é um estilista, chama-se Roberto Arlt / César Vallejo / J.C. Onetti, que fizeram do jogo literário um procedimento de variação contínua ...
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[do Editorial]



9 de jul de 2010



C E R T I F I C A D O S
Informamos a todos que participaram do X Simpósio internacional Nietzsche/Deleuze: Natureza/ Cultura, que os certificados de já estão prontos e estarão disponíveis na FAFIL- Faculdade de Filosofia/UFPA, em horário comercial. Procurar pelo professor Nelson José de Souza. Agradecemos pela paciência. Atenciosamente / nilson oliveira

25 de mai de 2010

Para os que estão em casa
O "X Simpósio Nietzsche/Deleuze: Natureza/Cultura" será transmitido ao vivo pelo site da Universidade Federal do Pará. Para acompanhar basta clicar no link: WWW.webtv.pa.gov.br

FW: o corpo como vertigem





















Por Nilson Oliveira

Algumas imagens chegam até nós provocando uma sensação de estranhamento. Pela força indescritível de sua presença, vão cada vez mais atraindo, arrastando e seduzindo-nos como um canto de sereias. Não há miragens, as imagens são como blocos de intensidade que se espalham em torno do espaço, fragmentando-se ao limite, subvertendo os contornos da própria identidade, evidenciando a potência de uma imagem que sempre migra. Essa viagem causa incomodo. Mas sua força, seu modo de nos arrancar os olhos, consiste exatamente nesse estranhamento. A imagem mantém-se em nós por ser esse fora indescritível, pelos lances que vimos, mas não conseguimos apreender, como um vulto. É desse modo que encontramos as fotografias de Francesca Woodman, figura curiosa que, como suas imagens, seduziu sem deixar pistas. Woodman entrou para a fotografia usando o corpo como experiência, como laboratório de si. Fez uma viagem sem volta ao limiar do corpo, como se percorresse seus limites para encontrar o inevitável: seu devir-outro-fotográfico, sua imagem-vulto: trata-se de uma quase miragem, algo que atravessa o espaço intenso da vida refletindo uma outra imagem, o além de si, que vaga desfocado, entranhada entre o tempo e espaço, como se deles fizesse parte, mas sem habitar nenhum, como uma sombra que toca sensivelmente nas coisas atravessando as superfícies mais rudimentares, transitando pelas coisas, sem expressar dor, desassossego ou vontade, acompanhando o falso movimento dos olhos, como a imagem que em silêncio espreita o deserto da lente. É a dispersão do corpo, do rosto e do próprio olhar, de um corpo que jaz enterrado na fronteira entre a ausência, a aparição. Um corpo que sempre reflete à sombra de uma outra imagem, uma imagem falha, que quando mirado se dispersa entre as coisas do mundo. Não há representação do rosto nem, portanto, do olhar. Seu rosto pouco revela. A verdade de sua aparência é um enigma, um exílio. Sua substância acontece fora de si, no espaço que há entre a força que o move e o mundo que o acolhe. Sua imagem não é a revelação de uma realidade, mas de uma sombra, de algo que é inteiramente vivo e, no entanto, não orgânico. Há nas fotografias de Francesca algo que nos força a pensar, uma força nos arremessa de encontro a realidades em que muitas vozes se atravessam. Por vezes ouvimos Artaud: o pulsar o corpo sem órgãos; por vezes Bataille: a febre e a intensidade; mas por vezes, entre a sombra e a claridade, o canto silencioso de Rilke: a sombra da morte. Mas isso, esse turbilhão de coisas e vozes, nas fotografias de Francesca Woodman, só pode ser apreendido a partir de uma perspectiva da sensação, numa leitura-gozo que faz o olhar mergulhar no diverso e nele se perder. Em sua primeira característica, e sob qualquer tonalidade, essas imagens só podem ser sentidas. Não é uma estrutura, mas uma abertura, a fissura pela qual os olhares se atravessam. Ela é também, de certo modo, o incomunicável, passível, no entanto, de comunicação. Nas suas fotos, cada imagem parece perdida de uma atmosfera identitária, em cada foto é sempre outra, como se seu corpo estivesse mergulhado em um contínuo jogo de simulacros em que a origem, a verdade, a matriz há muito se apagou. Não há realidades, mas tudo é o que é: um corpo estendido no deserto de uma paisagem. O deserto é a fotografia, mas o corpo parece atravessado de sensações, de febre. Tudo parece vivo e morto, é como se a vida fosse o fora da morte, mas a morte o seu dentro, sua afirmação inevitável. Francesca transcorre pela linha que cruza de uma realidade a outra. Nas suas fotos, as linhas estão sempre se encontrando, fabricando dobras, redobras, criando um aberto de possibilidades como a força de uma máquina desejante que da sua intensidade-corpo passa para uma máquina-desejo que, no seu funcionamento, engendra uma corrente de fluxos, cortes, vultos, peles. Nas suas imagens, há sempre uma pulsação de intensidades operando no seio de um acontecimento: série diversa e não linear vazando por todas as direções. O desejo não cessa de efetuar acoplamentos de fluxos, pensamentos, volúpia, sobra, pele. O corpo de Francesca parece amarrado ao seu limite, mas dele escorre uma leveza indescritível. Sua imagem revela-se como uma quase epifania, mas nunca da ordem de um sagrado; atravessa a fotografia como o Monge Negro, rasgando a retina do jovem Kovrin, conduzindo-o ao seu limite, mas à atração também. Kovrim é atraído a ir, e vai atravessando todos os riscos que implicam esse ir: Kovrin reteve “a respiração, seu coração parou de bater e o mágico, extático transporte que há muito tempo esquecera, voltou a palpitar em seu coração” . O susto é inevitável. Assim foi Francesca na sua experiência com a fotografia, mas, sobretudo, na sua viagem à superfície do corpo. Lembremos Valery: o mais profundo é a pele. Essa foi a sua viagem, ao profundo da superfície, às entranhas da derme. Assim vamos nós ao encontro das suas imagens, numa experiência da sensação e do ver. O susto através das retinas.



***

Francesca Woodman nasceu em Devem, Colorado, em 1958. Começou a fotografar aos 13 anos. Seu foco de experiências era o próprio corpo. Em Janeiro de 1981 publica o livro “Disordered Interior Geometries”. Uma semana depois, atravessa a janela do seu









24 de mai de 2010

Informamos:

O simpósio internacional Nietzsche / Deleuze: Natureza / Cultura não mais será realizado no Auditório Setorial Básico II. A grande quantidade de inscritos extrapolou as possibilidades desse espaço. Com isso, o Simpósio vai acontecer DIA 25, no AUDITÓRIO BENEDITO NUNES / CENTRO DE CONVENÇÕES DA UFPA, entrada pelo segundo portão, ao lado do Ginásio. No DIA 26, no ICJ / INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS, que fica bem próximo ao terceiro portão. E no DIA 27, novamente no AUDITÓRIO BENEDITO NUNES / CENTRO DE CONVENÇÕES DA UFPA. O Horário das conferências durante os três dias de evento será das 09h00 às 12h00 e das 16h00 às 18h00.

Importante: o certificado será entregue duas semanas após a realização do Simpósio na FACULDADE DE FILOSOFIA / IFCH-UFPA

Não haverá credenciamentos / os inscritos já estão automaticamente credenciados.
A programação impressa com os resumos das conferencias será entregue no dia da abertura.

22 de mai de 2010





Na terça-feira às 10h00 a Antropóloga Dorothea Voegeli Passetti abre o "X Simpósio Internacional de Filosofia Nietzsche / Deleuze: Natureza / Cultura" com a palestra: Natureza e Cultura: além do antropológico.


Dorothea Passetti é doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na qual é professora assistente doutor no Departamento de Antropologia e no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, tendo atuado na criação do Museu da Cultura a partir de 1991, que atualmente dirige. Tem experiência na área de Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Teoria antropológica, antropologia e arte, arte indígena, Claude Lévi-Strauss, arte e sociedade, exotismo, canibalismo. É Autora de Levi-Strauss, Antropologia E Arte Minusculo – Incomensuravel, Educ/1999.





INSCRIÇÕES
As inscrições ao SIMPÓSIO NIETZSCHE/DELEUZE: NATUREZA/CULTURA encerram neste domingo. Contudo, todos que tiverem interesse em participar do evento terão livre acesso as conferencias. Mas sem direito a certificado.

16 de mai de 2010


Para ler matérias publicadas no jornal Diário do Pará
Sobre o Simpósio Nietzsche/Deleuze: Natureza/ Cultura
É só clicar nos links: 
http://ee.diariodopara.com.br/Default.aspx?pID=56&eID=7365&lP=8&rP=9&lT=page
http://migre.me/B75y 
 obs. no alto da página tem uma ferramenta para ampliar a página e ler a matéria.



6 de mai de 2010



I n f o r m a n d o

COLÓQUIO DELEUZE LEITOR DOS MODERNOS
 24 E 25 DE AGOSTO / SÃO PAULO / USP
Mais informações clique aqui 





X SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA
NIETZSCHE / DELEUZE: NATUREZA / CULTURA
Universidade Federal do Pará / Auditório Setorial Básico II

De 25 a 27 de maio / 2010 - Belém 

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Realização
Faculdade de Filosofia / Universidade Federal do Pará
Laboratório de Estudos e Pesquisas da Subjetividade
Revista Polichinello

Coordenação:
Daniel Lins (UFC- Paris III-Sorbonne)
Roberto A. P. Barros (UFPA)
Nilson oliveira (Revista Polichinello)


P R O G R A M A Ç Ã O


PRIMEIRO DIA (25/ 05/ 2010):


 MANHÃ:
09hs00. Abertura: (Organização do Simpósio)

09hs30. Homenagem ao Prof. Benedito Nunes.

10hs30Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Junior (UNICAMP)
 Conferência: Ascese e Ressentimento em Deleuze

TARDE:
16hs00 Prof. Dra. Dorothea Voegeli Passetti (PUC-SP)
Conferência: Natureza e Cultura: além do antropológico

17hs00Prof. Dr. German Meléndez Acuña (Universidade Nacional de Colômbia)
Conferência: La más Temprana Traducción del Hombre en el Lenguaje de la Naturaleza

18h00Prof. Dr. Ernani Chaves (UFPA)
Conferência: Trabalho, prazer e tédio: Nietzsche contra a 'cultura da máquina.



SEGUNDO DIA (26/05/2010):



 MANHÃ:
09hs00 Prof. Dr. Hélio Rebello Cardoso Jr (UNESP)
Conferência: Entre Natureza e Cultura: contribuição deleuziana para uma teoria empirista das relações e ontologia relacional

10hs00Prof. Dr. Henry Burnett (UNIFESP)
Conferência: Nietzsche e os pré-românticos: visões do popular

11hs00 Prof. Dr. Rodrigo Guimarães Nunes (University of London)
Conferência: O espelho de Nietzsche: ser e pensamento, natureza e cultura entre Foucault e Deleuze

TARDE:
16hs00Prof. Dr. Thilman Borsche (Hildesheim-Alemanha)
Conferência: Que natureza queremos?

17hs00Prof. Dr. Roberto Barros (UFPA)
Conferência: Naturalização da Cultura ou Culturalização da Natureza?

TERCEIRO DIA (27/05/2010):

MANHÃ:
09hs00 Prof. Dr. Eduardo Pellejero (UFRN)
Conferência: AGENCIAMENTOS INUMANOS E NATUREZAS SEGUNDAS: A instituição do mundo na filosofia de Gilles Deleuze."

10hs00Prof. Dr. Charles Feitosa (UNI-RIO)
 Conferência: O Silêncio dos Animais

11hs00Nelson Matos de Noronha (UFAM)
 Conferência: Arqueologia dos saberes na Amazônia.

TARDE:
16hs00Prof. Dra. Frederika Spindler (Södertörns Högskola -Estocolmo)
Conferência: Naturezas do corpo: movimento, órgão, máquina

17hs00Prof. Prof. Dr. Nelson de Souza Júnior (UFPA)
Conferência: O projeto moderno e a impossibilidade do par Natureza/Cultura

18hs00. Encerramento do Simpósio



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INSCRIÇÕES:
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INFORMAÇÕES:
 (91) 32784578

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